terça-feira, 3 de maio de 2011

Ibram deve rever para cima aportes em expansão

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03/05/2011


Perspectivas dos mercados interno e externo exigem aportes que garantem alta demanda

Diante da previsão de equilíbrio entre oferta e demanda por minério de ferro somente a partir de 2013, o Instituto Brasileiro de Mineração (Ibram) deve rever para cima, mais uma vez, sua projeção de investimentos no setor entre 2011 e 2015, que anteriormente era de US$ 64,8 bilhões, recorde no segmento, segundo o presidente do Ibram, Paulo Camillo Penna.

Ainda de acordo com ele, o valor da produção mineral do Brasil deve crescer no mínimo 10% por ano nos próximos três exercícios. Neste período, conforme Penna, os aportes em expansão e projetos green field da indústria extrativa permanecerão a todo vapor, em decorrência de um cenário mundial com oferta de minério apertada.

"Hoje, faltam 90 milhões de toneladas de minério no mercado internacional e somente a partir de 2013 a balança da indústria extrativa deve se equilibrar. Enquanto isso, o ambiente interno, com ótimas perspectivas nos setores de construção civil e pesada, aliadas à tendência de aportes de grupos siderúrgicos em ativos, para se protegerem da variação no preço da commodity, continuará incentivando inversões no segmento", analisou.

No cenário externo, Penna acredita que o crescimento de economias emergentes, mesmo que em patamares mais modestos, continuará demandando elevados investimentos em infraestrutura e, conseqüentemente, alto consumo de minério de ferro. O presidente do Ibram também não descartou a colaboração de países desenvolvidos no processo.

Siderúrgicas - Para ele, a tendência de grupos siderúrgicos também investirem em ativos minerários próprios, principalmente como forma de se defenderem de variações no preço do insumo, é válida, mas só poderá ser melhor avaliada por volta de 2013, quando a balança entre oferta e demanda deve estar mais equilibrada.

No mercado interno, disse Penna, os agregados de construção, como areia, brita, saibro, argila e cimento, devem se manter com um alto nível de demanda, a exemplo do que foi verificado nos últimos 11 anos. Para ilustrar o elevado consumo deste tipo de mineral, o presidente do Ibram lembrou que cada vez mais há dificuldades de fornecimento em prazos curtos, o que, segundo ele, não se via há alguns anos.

Penna considera que a aceleração dos investimentos em infraestrutura, com vistas à Copa do Mundo de 2014, às Olimpíadas de 2016, ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e à redução do déficit habitacional no país, irão garantir um elevado consumo para os insumos usados na construção. "Isso também vale para o minério de ferro", frisou.

Todos estes fatores, na avaliação de Penna, garantirão a continuidade dos investimentos em expansão ou em novos projetos pelo setor extrativo nacional. Até 2013, ano em que o Ibram prevê um mercado mais equilibrado, os aportes, tanto de mineradoras quanto de siderúrgicas, devem continuar em expansão até que a oferta seja compatível com a demanda mundial.

Expansão - O presidente da Associação Brasileira para o Progresso da Mineração, José Mendo Mizael de Souza, também acredita que os investimentos do setor extrativo devem continuar em expansão nos próximos anos. "Não há indicadores que mostrem o contrário", afirmou.

Questionado sobre os fatores que serviriam de combustível para os aportes em aumento da capacidade ou novos empreendimentos, Souza citou os mesmos lembrados por Penna. Dentre eles, a permanência de uma demanda por minério aquecida no ambiente mundial e a entrada das siderúrgicas como potenciais investidores no setor extrativo.

"A China continua em franca expansão e o Japão terá que se reconstruir. Os Estados Unidos e a Europa ainda ensaiam uma recuperação mais vigorosa, mas já estão a caminho disso. A Índia dá fortes indícios de crescimento e as siderúrgicas desejam ficar menos expostas às variações de preço. Tudo isso e as perspectivas de aportes em infraestrutura no mercado doméstico apontam para um cenário promissor", avaliou.

O consultor e ex-presidente da Vale S/A Francisco Schettino concorda com o presidente do Ibram e com o da Associação Brasileira para o Progresso da Mineração, mas lembra que o governo federal, no tocante ao ambiente interno, precisa abrir caminho garantindo os investimentos em infraestrutura. "O Executivo tem papel fundamental", destacou.
Diário do Comércio - MG

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