[ 01/06/2011 ] [Valor Econômico - On Line / Impresso - - ]
Executivo com a maior parte da carreira feita na Vale, onde foi diretor de siderurgia do grupo, Murilo Ferreira assumiu a presidência da companhia em meio a disputas entre o governo e grandes acionistas privados. O Planalto tem interesse em ver a empresa apoiando projetos de siderurgia. Em 20 de maio deste ano, na primeira entrevista coletiva depois de conduzido ao posto pelo Conselho de Administração, Ferreira foi direto: "Em relação à siderurgia, é importante salientar que a Vale é uma mineradora, ponto." Mas foi também conciliador em relação à siderurgia: "Existe esse anseio fora do Brasil. Então, precisamos encontrar uma solução de consenso."
A frase direta resume a prioridade que o 'core business' da Vale, minério de ferro e logística, adquiriu nos planos de investimento desde a privatização nos anos 90. A tendência se acentuou em 2001, com o descruzamento de participações acionárias entre a Vale e a CSN, mas não afastou a empresa do setor de aço.
"Fora do Brasil, como gestor da Vale Níquel, pude observar com muita clareza que existe esse mesmo anseio", disse Ferreira, referindo-se à atuação da companhia nos dois elos da cadeia produtiva (mineração e siderurgia).
Presidente do conselho de administração da Vale e representante da Previ, maior fundo de pensão do país, Ricardo Flores segue no mesmo tom: "Temos investimentos dentro desse orçamento que seguirão nessa rota de diversificação, mas com criação e agregação de valor à empresa".
Com a experiência de quem comandou a montagem da Companhia Siderúrgica do Atlântico (CSA), Aristides Corbellini é agora o responsável pelo acompanhamento mais direto das negociações e obras das usinas novas em que há investimento da Vale. Procura transmitir entusiasmo: "O compromisso da Vale com o setor siderúrgico brasileiro não é de hoje. Há quase 20 anos a empresa vem participando com seus parceiros em empreendimentos como a Usiminas, CSN, CST, Açominas e ThyssenKrupp CSA Siderúrgica do Atlântico, inaugurada em 2010".
Corbellini mostra-se otimista em relação aos novos projetos, como o do Pará. Sobre as negociações para atrair clientes siderúrgicos, como usinas japonesas, coreanas, europeias e chinesas, ele afirma que a Vale está sempre aberta a parcerias para projetos siderúrgicos que possam fortalecer a indústria do aço no país.
"Foi assim com a ThyssenKrupp no projeto da CSA que já se encontra em operação. Na CSP, no Ceará, já contamos com dois parceiros importantes: as coreanas Dongkuk e Posco, que terão respectivamente participação de 30% e 20%. No caso da CSU, no Espírito Santo, já estabelecemos contatos preliminares com vários interessados em participar do empreendimento, embora, até agora, o foco da Vale tenha sido licenciar o empreendimento e assegurar os terrenos, já que estes são os dois principais fatores de incerteza, principalmente para investidores estrangeiros."
O diretor não enxerga o crescimento da China como um inibidor de investimentos em siderurgia no Brasil. Embora o país seja um importante mercado para o minério de ferro da Vale, as vendas para a China representam apenas 15% do consumo desta matéria-prima naquele país. "A Vale tem uma estratégia muito clara em relação ao setor: buscamos promover o crescimento da siderurgia no Brasil, criando demanda adicional ao minério, gerando riqueza e desenvolvimento para o país. A crescente demanda chinesa não interfere nos nossos objetivos. A expansão do parque siderúrgico no Brasil é regida por dinâmica própria e nada tem a ver com o crescimento da siderurgia chinesa que, por sua vez, é regido pela dinâmica própria daquele mercado."
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