11/08/2011
"Estamos tentando atrair investimentos brasileiros ao Chile", afirma Matías Mori, vice-presidente executivo do Comitê de Investimentos Estrangeiros (CIE), órgão ligado ao Ministério da Economia chileno.
Hoje, o Brasil tem investimentos no setor financeiro, infraestrutura e construção, indústrias de mineração e metalurgia, química e de alimentos do Chile, principalmente. No entanto, os volumes investidos - e concretizados - ainda são muito pequenos. No período de 1974 a 2010, empresas do Brasil aportaram US$ 612 milhões no Chile, apenas 0,79% dos US$ 77,261 bilhões totais investidos por diferentes origens considerando o intervalo de 36 anos, segundo o Comitê de Investimentos Estrangeiros.
Os números consideram investimentos feitos por meio do chamado Decreto Lei 600, que se aplica a projetos novos com aporte superior a US$ 5 milhões em moedas estrangeiras. Quando o investimento compreende bens físicos ou tecnologia, o montante mínimo é de US$ 2,5 milhões. Investimentos feitos por meio desse mecanismo só podem remeter capital à matriz após um ano.
Para Matías Mori, há potencial para novos investimentos brasileiros em infraestrutura, como obras de reconstrução por conta do terremoto que atingiu o Chile em fevereiro de 2010 e projetos turísticos e imobiliários. Há potencial também no setor energético, um dos gargalos do país andino, que depende, em grande parte, de gás natural importado e enfrenta atualmente resistências de ambientalistas para a construção de hidrelétricas na região sul.
Segundo Mori, o comitê teve recentemente "conversas preliminares" com representantes da Eletrobras. A estatal brasileira mostrou interesse e pediu informações, diz o executivo, sobre a atual licitação para ampliação das linhas de transmissão elétrica do Sistema de Interconexão Central do Chile. O interesse da Eletrobras seria, segundo ele, participar eventualmente da licitação, mas não adquirir diretamente licenças. "O Brasil é mais competitivo em energia, tem experiência, capacidade instalada".
A questão energética é, aliás, o calcanhar de aquiles chileno. E Mori admite isso. "O Chile tem problema energético importante. Há poucos recursos e o valor por quilowatt é muito elevado".
Um projeto de hidrelétrica, no sul do país, tocado pelas Centrais Hidroelétricas de Aysén, na cidade de Aysén, na Patagônia chilena, já recebeu a licença ambiental para a represa, segundo Matías Mori. Agora, falta a autorização ambiental para a instalação das linhas de transmissão. "Temos problema de energia e qualquer forma de geração vai ter algum impacto [ambiental]", diz.
Na avaliação do executivo, a forma de atrair investimentos ao Chile, apesar da perspectiva do custo elevado de energia, é mostrar "as outras vantagens" do país. "O investidor vai ter custos com energia mais altos, mas estará se instalando num país transparente, com impostos baixos, com estabilidade política e social. Temos argumentos para mostrar que o país é um bom destino", acrescenta.
Hoje, os países que mais investem no Chile são Espanha, EUA, Canadá e Reino Unido. O foco é buscar investidores, além do Brasil, em outros emergentes, como Rússia, Índia, China, países que "vão ter de investir fora para não criar inflação em seus próprios mercados", afirma Mori. "Queremos que a torta seja grande e que mais (países) venham comer", conclui. (AAR)
Com uma economia dependente de cinco produtos de exportação e de 21 acordos comerciais acertados com 58 países ao redor do globo, o Chile quer ampliar os investimentos estrangeiros no país e vê no Brasil potencial para novas parcerias.
"Estamos tentando atrair investimentos brasileiros ao Chile", afirma Matías Mori, vice-presidente executivo do Comitê de Investimentos Estrangeiros (CIE), órgão ligado ao Ministério da Economia chileno.
Hoje, o Brasil tem investimentos no setor financeiro, infraestrutura e construção, indústrias de mineração e metalurgia, química e de alimentos do Chile, principalmente. No entanto, os volumes investidos - e concretizados - ainda são muito pequenos. No período de 1974 a 2010, empresas do Brasil aportaram US$ 612 milhões no Chile, apenas 0,79% dos US$ 77,261 bilhões totais investidos por diferentes origens considerando o intervalo de 36 anos, segundo o Comitê de Investimentos Estrangeiros.
Os números consideram investimentos feitos por meio do chamado Decreto Lei 600, que se aplica a projetos novos com aporte superior a US$ 5 milhões em moedas estrangeiras. Quando o investimento compreende bens físicos ou tecnologia, o montante mínimo é de US$ 2,5 milhões. Investimentos feitos por meio desse mecanismo só podem remeter capital à matriz após um ano.
Para Matías Mori, há potencial para novos investimentos brasileiros em infraestrutura, como obras de reconstrução por conta do terremoto que atingiu o Chile em fevereiro de 2010 e projetos turísticos e imobiliários. Há potencial também no setor energético, um dos gargalos do país andino, que depende, em grande parte, de gás natural importado e enfrenta atualmente resistências de ambientalistas para a construção de hidrelétricas na região sul.
Segundo Mori, o comitê teve recentemente "conversas preliminares" com representantes da Eletrobras. A estatal brasileira mostrou interesse e pediu informações, diz o executivo, sobre a atual licitação para ampliação das linhas de transmissão elétrica do Sistema de Interconexão Central do Chile. O interesse da Eletrobras seria, segundo ele, participar eventualmente da licitação, mas não adquirir diretamente licenças. "O Brasil é mais competitivo em energia, tem experiência, capacidade instalada".
A questão energética é, aliás, o calcanhar de aquiles chileno. E Mori admite isso. "O Chile tem problema energético importante. Há poucos recursos e o valor por quilowatt é muito elevado".
Um projeto de hidrelétrica, no sul do país, tocado pelas Centrais Hidroelétricas de Aysén, na cidade de Aysén, na Patagônia chilena, já recebeu a licença ambiental para a represa, segundo Matías Mori. Agora, falta a autorização ambiental para a instalação das linhas de transmissão. "Temos problema de energia e qualquer forma de geração vai ter algum impacto [ambiental]", diz.
Na avaliação do executivo, a forma de atrair investimentos ao Chile, apesar da perspectiva do custo elevado de energia, é mostrar "as outras vantagens" do país. "O investidor vai ter custos com energia mais altos, mas estará se instalando num país transparente, com impostos baixos, com estabilidade política e social. Temos argumentos para mostrar que o país é um bom destino", acrescenta.
Hoje, os países que mais investem no Chile são Espanha, EUA, Canadá e Reino Unido. O foco é buscar investidores, além do Brasil, em outros emergentes, como Rússia, Índia, China, países que "vão ter de investir fora para não criar inflação em seus próprios mercados", afirma Mori. "Queremos que a torta seja grande e que mais (países) venham comer", conclui. (AAR)
Valor Econômico
Nenhum comentário:
Postar um comentário